
apaixonei-me.
*-*
tenho saudades do que ainda não vivi. o que ainda não fui.
Obrigada Pedro,
por todos os pedaços de nada que através de ti me foram moldando*
por todos os pedaços de nada que através de ti me foram moldando*
'4. PERDIDOS NO MAR
«O que é que te leva a pensar que esta Alma d'A História do amor é uma personagem real?», Perguntou Misha. Estávamos sentados na praia por trás do apartamento dele com os nossos pés enterrados na areia, a comer o rosbife e as sanduíches de rábano silvestre de Mrs. Shklovsky. «"A"», disse eu. «Há o quê?» «Uma pessoa real.» «OK», disse Misha. «Responde à pergunta.» «Claro que é real.» «Mas como é que tu sabes?» «Porque só há uma explicação possível para o facto de Litvinoff, que escreveu o livro, não lhe ter dado um nome espanhol, como a todos os outros.» «Qual é?» «Não podia.» «Por que não?» «Não vês?», disse eu. «Ele podia mudar todos os pormenores, mas não podia mudá-la a ela.» «Mas porquê?» A insensibilidade dele era exasperante. «Porque estava apaixonado por ela!», disse eu. «Porque, para ele, ela era a única coisa que era real.» Misha mastigou um pouco de rosbife. «Acho que andas a ver muitos filmes» , disse ele. Mas eu sabia que tinha razão. Não era preciso ser-se nenhum génio para ler A História do Amor e entender isso.'
Nicole Krauss, A História do Amor, D. Quixote 1º Ed. 2006
«O que é que te leva a pensar que esta Alma d'A História do amor é uma personagem real?», Perguntou Misha. Estávamos sentados na praia por trás do apartamento dele com os nossos pés enterrados na areia, a comer o rosbife e as sanduíches de rábano silvestre de Mrs. Shklovsky. «"A"», disse eu. «Há o quê?» «Uma pessoa real.» «OK», disse Misha. «Responde à pergunta.» «Claro que é real.» «Mas como é que tu sabes?» «Porque só há uma explicação possível para o facto de Litvinoff, que escreveu o livro, não lhe ter dado um nome espanhol, como a todos os outros.» «Qual é?» «Não podia.» «Por que não?» «Não vês?», disse eu. «Ele podia mudar todos os pormenores, mas não podia mudá-la a ela.» «Mas porquê?» A insensibilidade dele era exasperante. «Porque estava apaixonado por ela!», disse eu. «Porque, para ele, ela era a única coisa que era real.» Misha mastigou um pouco de rosbife. «Acho que andas a ver muitos filmes» , disse ele. Mas eu sabia que tinha razão. Não era preciso ser-se nenhum génio para ler A História do Amor e entender isso.'
Nicole Krauss, A História do Amor, D. Quixote 1º Ed. 2006
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