'O senhor Valéry tinha uma casa sem volume onde passava férias.
A porta e uma fachada eram as únicas coisas que existiam.
- Nos dois sentidos se pode entrar e sair - dizia o senhor Valéry, todo contente.
Ele gostava da sua casa de férias. Ali poderia descansar.
Na primeira noite, de lua cheia, enquanto tentava adormecer, o senhor Valéry pôs-se a imaginar o que aconteceria se também ele não tivesse volume.
- Seria possível vivermos num mundo só com duas dimensões? - Perguntava Valéry a si próprio.
Na sua casa de férias, o senhor Valéry entretinha-se com estranhos pensamentos. Numa dessas noites o senhor Valéry imaginou várias casas.
... várias casas estranhas.
Depois de tantas hipóteses, ele pensou que melhor do que uma casa de férias apenas com uma porta e uma fachada, como a sua, só mesmo uma casa com quatro portas, em quadrado, sem nenhuma parede.
O senhor Valéry chamou-lhe: a casa das quatro portas juntas. O centro era o único sítio onde se podia estar sentado.
- Nesta casa entra-se por qualquer lado e é sempre igual. É esta a casa de férias ideal - dizia o senhor Valéry. - Evito perder-me em compartimentos.
(e só assim me encontro a mim próprio.)
- É que só consigo repousar se não tiver que decidir nada, e para que isso aconteça é indispensável não existirem opções. Isto parece-me lógico. Com muitas opções ficamos perdidos.
- É um sonho que eu tenho, uma casa só com 4 portas. - murmurou o senhor Valéry. - Seriam as férias perfeitas. Sem alternativas, rodeado de vazio, não teria de decidir nada.
Seria um descanso.'
A porta e uma fachada eram as únicas coisas que existiam.
- Nos dois sentidos se pode entrar e sair - dizia o senhor Valéry, todo contente.
Ele gostava da sua casa de férias. Ali poderia descansar.
Na primeira noite, de lua cheia, enquanto tentava adormecer, o senhor Valéry pôs-se a imaginar o que aconteceria se também ele não tivesse volume.
- Seria possível vivermos num mundo só com duas dimensões? - Perguntava Valéry a si próprio.
Na sua casa de férias, o senhor Valéry entretinha-se com estranhos pensamentos. Numa dessas noites o senhor Valéry imaginou várias casas.
... várias casas estranhas.
Depois de tantas hipóteses, ele pensou que melhor do que uma casa de férias apenas com uma porta e uma fachada, como a sua, só mesmo uma casa com quatro portas, em quadrado, sem nenhuma parede.
O senhor Valéry chamou-lhe: a casa das quatro portas juntas. O centro era o único sítio onde se podia estar sentado.
- Nesta casa entra-se por qualquer lado e é sempre igual. É esta a casa de férias ideal - dizia o senhor Valéry. - Evito perder-me em compartimentos.
(e só assim me encontro a mim próprio.)
- É que só consigo repousar se não tiver que decidir nada, e para que isso aconteça é indispensável não existirem opções. Isto parece-me lógico. Com muitas opções ficamos perdidos.
- É um sonho que eu tenho, uma casa só com 4 portas. - murmurou o senhor Valéry. - Seriam as férias perfeitas. Sem alternativas, rodeado de vazio, não teria de decidir nada.
Seria um descanso.'
Gonçalo M. Tavares, Histórias do Senhor Valéry
é só mais uma semana.
No comments:
Post a Comment