
'Estão sentados, junto às janelas, de frente um para o outro. Ela espreita o mar.
- Às vezes penso na maneira curiosa como tudo aconteceu. Ainda pensas nisso?
- Claro.
Bea sorri e vai enrolando as palavras, debaixo da língua, enquanto mexe no cabelo.
- E alguma vez pensaste que íamos estar aqui, depois de todos estes anos? - disse.
Luís olha-a, apoia o queixo na mão direita, também ele mastiga as palavras. Não há muito a dizer. Nunca houve.
Bea acaricia-lhe a barba com ternura. Ele agarra-lhe a mão e puxa-a para ao pé de si.
- Foi sempre tudo tão simples. E no entanto...
Sorriem.
- Borrego. - diz ela.
- Teu.'
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